30 novembro 2012

Entrevista: Lucas Chagas

Oie gente!Hoje trago uma entrevista com o autor Lucas Chagas , parceiro do blog.

Bem, primeiramente, fale um pouco sobre você.
Não gosto muito de falar de mim (risos), mas sou um rapaz simples, que quer ser reconhecido pelo meu trabalho, e levar bons momentos para meus leitores.

Quando decidiu que queria ser escritor?
Nunca tive vontade de ser escritor. Sempre imaginei essa figura como um ser geralmente velho, que se enclausurava num quarto e só fazia escrever (risos). Por isso nunca tive a vontade de ser escritor, mas sempre tive a vontade de escrever. Eu sempre li bastante, e então me deu a vontade de contar minha própria história. Comecei a escrever meu primeiro livro aos 15 anos, deu em torno de 300 páginas em Word, mas escrevi todo a mão em dois cadernos, então não tinha pra onde correr, eu já era escritor! (risos). Fiquei muito contente ao perceber que o escritor pode ser jovem, atual, e ser ao mesmo tempo profundo e competente.

E a sua família te apoiou nessa escolha?
Sim, sempre. Minha mãe, pessoa da família mais ligada a mim, sempre me apoiou. Não foi algo que ela incentivou, mas devido ao tanto que eu escrevia, à qualidade do que eu escrevia, e à minha vontade, ela resolveu me apoiar (risos).

Qual foi a sua inspiração para escrever A Ideia?
A Ideia é 20% de experiências que eu tive, e 80% de criação. É fruto de paixões, problemas, felicidades, tudo isso me incentivou a escrever. Eu acredito que o escritor deve ter uma base de realidade muito boa sobre o que ele escreve, e com relação a isso eu estava totalmente seguro, pois escrevia coisas baseadas na minha vida, no que eu via, ou sentia. Fiquei muito feliz com o resultado e tenho sido muito elogiado também. É um trabalho que vale a pena.

 Cite um trecho favorito do livro.

Difícil escolher um trecho só, mas vamos lá:

“Uma brisa foi forte o bastante para balançar os galhos e fazer
cair inúmeras folhas verdes e vermelhas. Aquela chuva de folhas
me fez sair de onde eu estava por um momento, como se eu estivesse
sendo carregada da mesma maneira que cada uma delas.
Era uma bela imagem, que ficaria presa na minha memória para
sempre.
Eu e Ben nos deitamos sobre a grama com os rostos próximos.
Só dessa forma nós pudemos ver o céu em toda sua amplitude
e grandeza. Colorido e trifásico, roxo mais distante, uma
mescla de laranja e rosa no permeio e um azul muito claro no
começo.
– Eu adoro quando o céu fica assim, com várias cores – ouvi
Ben dizer quase ao meu ouvido. – Parece uma pintura gigante.
– Eu também – respondi com um suspiro. Se ele soubesse o
que eu pensara alguns dias antes.
– Nós parecemos tão pequenos diante da infinitude do universo,
não acha?
Tentei olhar para ele demonstrando meu desentendimento.
– Por que você está dizendo isso agora?
– Pensei, só isso.
Ele ficou calado. Ouvi sua respiração.
– Somos grandes o suficiente para amar – respondi.
– Pose para a foto! – alertou Clara.
Nós nos levantamos e Clara tirou a foto antes mesmo de eu
me posicionar. Tinha certeza que sairia na foto parecendo uma
sapa preparando uma cambalhota. Depois tiramos todos nós juntos,
nos balanços de brinquedo do parque. Um momento criança
que todos guardam dentro de si.
Era quase noite, os postes já estavam acesos há muito tempo
e ainda havia vários adolescentes e jovens nas quadras e nas pistas
quando nós decidimos partir. Ben me pôs nos ombros e me segurou
pelos braços. Achei que eu fosse cair, ou melhor, que nós dois
fôssemos cair ao mesmo tempo. Mas ele me segurou me considerando
leve demais. Falei que ele me carregaria assim dali em diante.
Nas suas costas. E no seu coração.”

Você enfrentou muitas dificuldades para publicar o seu livro?
Sim, a publicação é bem difícil, ainda mais quando você não é conhecido, ou não tem público certo. As editoras temem investir no seu trabalho, e então não há muita opção, a não ser financiar sua própria publicação, o que pode ser, dependendo da editora, bem custoso. Tentei alguns concursos que realizam publicação da obra vencedora, mas todos os romances escolhidos eram bem menores, até menos da metade do meu, em questão de quantidade de páginas.

Você gosta de ler que tipos de livros?
Como escritor e leitor, gosto de ler de tudo um pouco. Romances, ficção, policial. Não curto fantasia fantástica (vampiros, lobisomens, esse tipo de coisa), se bem que sou da geração Harry Potter, e assim como o personagem, eu também tinha 11 anos quando conheci aquele universo, então essa série me influenciou muito a escrever, e escrever bem, sendo simples e atrativo. Não gosto muito de contos, mas gosto dos de Clarice Lispector e Nelson Rodrigues, por exemplo.

Cite alguns de seus autores favoritos.
Sou fã de Clarice Lispector, digo que ela é minha mãe de papel (risos), pois ela me ensina muito. Gosto muito de Gustave Flaubert, e Franz Kafka também.

Quais são os seus projetos futuros?
Pretendo publicar meu primeiro livro, Perseguição. É um livro para um público mais jovem. Conta a história de um adolescente que observa um assassinato na casa vizinha a sua. Ainda dividido se ignora o acontecido ou se denuncia, ele vai ver que o problema de verdade ainda vai começar. Tenho um carinho muito especial por esse livro, e espero publicá-lo em breve, estou analisando as editoras.
Quero escrever também outro romance, mas o projeto ainda é muito incipiente. Parei de escrever para dar andamento a outros projetos, então, infelizmente, vai ficar para mais tarde. Como minha mãe sempre fala, a pressa é inimiga da perfeição, então é melhor aguardar.

O que você diria para aqueles que querem ser escritores no futuro? E como lidar com esse sonho?
Eu diria para ter calma. Ser escritor mistura sonho com interesses pessoais/financeiros. Às vezes somos muito influenciados por autores internacionais, de sucesso, mas é outra realidade. É preciso ter o pé no chão, saber que o mercado nacional não é fácil, publicar também não, apesar de estar bem mais fácil que há alguns anos. Vender também pode ser complicado, é preciso sempre correr atrás de um espaço para divulgar seu trabalho, ou seja, não é apenas escrever e depois, desfrutar do sucesso (risos). Uma coisa é escrever, outra é ser escritor.
Mas sugiro esquecer tudo isso enquanto você está no seu processo criativo! Não deixe as dificuldades, ou o que quer que seja, interferirem na sua escrita. Apenas escreva, estude, leia, procure fazer o melhor, esse deve ser o foco.

Obrigada pela entrevista Lucas e desejo muito sucesso para você. E, se não for incomodo, deixe uma mensagem para os leitores do blog.
Quero agradecer a todos que leram a entrevista. Quero agradecer de coração a Jéssica pela oportunidade de poderem me conhecer um pouco melhor. Espero que tenham se interessado pelo meu livro A Ideia, e que deem uma oportunidade ao meu trabalho. Um abraço a todos!


Quem quiser adquirir o livro do Lucas, acesse aqui ou entre em contato com o autor : lucas_cpm89@hotmail.com

4 comentários:

  1. Adorei a entrevista!
    Muito fofo!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias
    livroterapias.blogspot.com.br

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  2. Gostei da entrevista Jessy! Achei as perguntas bem elaboradas e curti as respostas do Lucas. Também achei bem interessante a premissa do outro livro dele, Perseguição. Beijo!

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  3. Gostei da entrevista! Suas perguntas são bem criativas, rs.

    Larissa,
    http://garotameiosangue.blogspot.com.br

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  4. Muito boa a entrevista, adorei conhecer sobre o escritor.
    ^^

    Bjão!

    http://livronasmaos.blogspot.com.br/

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