Resenha: A Invenção das Asas - Sue Monk Kidd

A Invenção das Asas
Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem. Skoob / Orelha de Livro



Autora: Sue Monk Kidd
Editora: Paralela (Selo da Editora Companhia das Letras)
Páginas: 328
Nota: 5/5 FAVORITO

A Invenção das Asas, da escritora Sue Monk Kidd, é um livro tocante, sublime e emotivo. Um livro tão absolutamente magnífico e que toca o leitor de uma forma impressionante e você irá embarcar nessa jornada em busca da liberdade.

Sarah Grimké é uma a garota rica, filha de um jurista e que possui status na sociedade, mas ela não gosta como sua família e a sociedade impõem regras e repudia à escravidão. No dia de seu aniversário de 11 anos recebe de presente uma dama de companhia, a escrava Hetty ''Encrenca'', e essa companhia se torna mais firme do que Sarah imaginava.

Sarah e Encrenca, duas garotas de classes sociais totalmente diferentes e que possuem um único objetivo: serem livres. Ambas desejam à liberdade e acabam tornando-se amigas. Em uma época onde à mulher era apenas vista como esposa e que devia obedecer cegamente a igreja e ao marido, mas Sarah não concordava com isso e seu sonho era ser uma juíza, mas esse cargo era destinado apenas aos homens.

“As pessoas dizem que o amor fica manchado por uma diferença tão grande quanto a nossa. Eu não sabia ao certo se os sentimentos da srta. Sarah vinham do amor ou da culpa. Eu não sabia se os meus sentimentos vinham do amor ou da necessidade de segurança. Ela me amava e tinha pena de mim. E eu amava e usava a srta. Sarah. Nunca foi simples. Naquele dia, nossos corações estavam puros como jamais estariam.”

A brutalidade e a violência que os escravos eram submetidos, sendo castigados e açoitados, me fizeram chorar em alguns momentos. Os escravos eram obrigados as piores situações e nunca poderiam exercer qualquer direito e objeção pessoal. A forma como Sue Monk Kidd narra todos esses acontecimentos foi intensa e triste, porém percebemos em como Sarah gostaria de colocar o fim na escravidão e ao longo da narrativa iremos acompanhar a jornada dessa menina em busca da abolição.

A história é alternada entre Sarah e Encrenca, o que nos possibilita ver os dois lados de uma classe social, enquanto que Sarah possui conforto, riqueza e luxo, Encrenca enfrenta as dores da escravidão, como a fome, a jornada excessiva de trabalho para uma garota de 10 anos, a desvalorização pessoal, exploração e o castigo por ser desobediente.

O apelido ''Encrenca'' foi dado a Hetty por causa que ela nasceu antes do tempo e também pode ser considerado porque a escrava não tinha papas na língua. Ela é forte, corajosa e destemida. Já Sarah é uma garota inteligente, bondosa e guerreira, e junto com Encrenca irá em busca da igualdade das mulheres.

Para quem não sabe o livro é baseado na história real de Sarah Moore Grimké, uma figura histórica e que foi uma americana abolicionista. Ela buscava à igualdade das mulheres e o fim da escravidão. E foi considerada também como feminista, já que diversas vezes desafiava a igreja e era contra as leis de seu país.

''Se você precisa errar, erre pela audácia. Esse foi o slogan que criei para mim mesma.”

Em A Invenção das Asas acompanhamos a história de Sarah e Encrenca por mais de 30 anos, ou seja, vemos como duas crianças destemidas se transformam em mulheres guerreiras e corajosas. E durante todos esses anos nunca desistiram de seu objetivo crucial: a liberdade. 

Um livro que irá tocar o leitor de várias formas e emocionando com a história dessas duas mulheres que queriam apenas serem livres e poder exercê-los. Você vai se surpreender com a forma que Sue Monk Kidd traz um narrativa sensível e ao mesmo tempo forte.


Book Trailer:


Quotes:
"Escolhi o arrependimento com o qual poderia viver melhor, só isso. Escolhi a vida à qual pertencia."
"Um escravo tinha que ser como o Espírito Santo: não se vê, não se ouve, mas está sempre por perto, a postos."



16 comentários:

  1. Quando vi a sinopse desse livro eu fiquei muuuuuito interessada, mas depois de ver a resenha que o Gabriel do Cabine Literária fez eu me desapontei bastante. Ele mencionou que a autora caiu em diversos clichês e isso me deixou insegura pois odeio cliches. Agora que vejo uma resenha como a sua que elogia tanto o livro fico querendo dar uma chance! Outra coisa que me chama muita atençao nesse ,livro é o título, muit chamativo!

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    1. Oie Vanessa! Obrigada pelo comentário. Eu realmente gostei do livro. Pra mim, a autora explorou muito bem o livro e a respeito do clichê eu não achei tão isso, o livro é bem intenso e até mesmo forte. Mas é de gosto, algumas pessoas podem não gostar e outras não.

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  2. Oi Jéssica!

    O livro parece ser bem forte e envolver o leitor. A questão da escravidão sempre me interessou. É um tema forte e vergonhoso para todas as culturas. Gostei da autora ter explorado os dois pontos de vista, pois de certa maneira nessa época as mulheres no geral também eram escravas. Não sabia que o livro foi baseado em fatos reais e isso me chamou ainda mais a atenção.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  3. Também gostei muito do livro! É realmente tocante, e amei você ter usado a palavra sublime para se referir a ele. Adorei ter podido acompanhar a trajetória das personagens por mais de 30 anos, ver a transformação delas foi fantástico. Só uma coisa: não é por isso que a Encrenca é chamada de Encrenca, a mãe dela colocou esse nome quando ela nasceu porque ela nasceu antes do tempo... hehe... embora o motivo que você citou seja perfeitamente aplicável a ela. rs...

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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    1. Oie Ju! Obrigada pelo comentário. Hahahaha... deixei escapar isso e obrigada por ter me avisado, já fiz algumas alterações. Foi um erro bobo. Sim, sem dúvidas é um livro tocante e lindo. Beijos!

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  4. Olá!
    Esse livro parece incrível!
    Trata de um tema forte como a escravidão, e ainda da perspectiva de crianças! Genial!
    E o fato de ser baseado na história real de alguém dá ainda um toque especial! Definitivamente quero lê-lo!
    Beijos

    http://addictionforbooks.blogspot.com

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  5. Olá
    Não conhecia o livro e só pela sua resenha já fiquei interessado, gosto desse tipo de narrativa histórica ainda mais com fatos reais. Não sei porque, mas fiquei imaginando tudo isso como uma HQ. É que já vi várias HQs biográficas que se passavam em diversos momentos históricos como Persépolis e Maus. Fiquei curioso e vou tentar ler em breve!

    Abraços!
    www.umomt.com

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  6. Olá Jéssica

    Qndo eu li há algum tempo a sinopse deste livro eu sabia que estava diante de uma grande história, porque o livro aborda o preconceito contra a mulher e a escrevidão.
    Já comprei o livro e estou aguardando ansiosa para ler logo!

    Super bjos
    http://www.i-likemovies.com/

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  7. Oi Jessica.
    Eu nem sei como comentar essa resenha. Li esse livro semana passada, e ele está na minha cabeça até hoje, que narrativa incrível numa história permeada de sensibilidade.
    É um livro que está na estante, guardado com muito carinho e já pensando em quando poderei reler.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  8. Oi Jéssica,

    Acho a capa desse livro muito linda, já vi alguns vídeos falando sobre esse livro, e sempre me interessei, só pelo tema percebo, que é um livro, muito forte, a escravidão, parece não é algo, que nós deveríamos aprender muito mais sobre, esse período, e os livros nos ajudam cada vez mais a compreender a história, essa capa me faz dar suspiros e como gosto de coisas históricas, com certeza está na minha lista de livros que preciso ler.

    Mayla

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  9. Oi Jéssica, tudo bem?
    Eu conheci esse livro no blog da Ju Entre palcos e Livros e adorei a história. Como falei no blog dela, acho muito importante livros e filmes sobre esse passado negro da humanidade, eu nunca entendi a escravidão e nunca vou entender.
    Adorei a resenha da Ju e adorei a sua resenha também. São duas visões da mesma história e vocês duas me emocionaram e fizeram eu colocar esse livro, que eu não conhecia na minha lista.
    Beijinhos.
    cila-leitora voraz
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  10. Oieee, eu já tinha visto este livro em alguns blogs e achei o título bem interessante, porém eu ainda não tinha lido nenhuma resenha e achei bem interessante quando você disse que o livro é baseado em uma história real rs, isso eu não sabia kkk. com certeza este é um livro emocionante feito para tocar nossos corações, adorei a dica de leitura, Abraços e parabéns pelo blog :D

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  11. Oi Jessica,
    Não sabia que esse livro era baseado em fatos reais, fiquei ainda mais curiosa.
    Esse livro parece ser bem denso, pois trata de um tema pesado deve envolver bastante o leitor. Adoro quando o autor trabalha de forma a mostrar mais de um ponto de vista, isso torna a história mais interessante e amplia o conhecimento do leitor.
    Bjs
    Aline Lima
    http://alinenerd.blogspot.com.br/

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  12. Oi Jéssica =)

    Estou até vendo eu chorando lendo, e amando <3 Adoro livros assim, que nos tocam e emocionam, e trazem uma mensagem e uma bela história. Amei sua resenha =)

    Beijos,
    Livy
    No Mundo dos Livros

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  13. Oi Jé!

    Menina! Eu já li algumas resenha dessa obra e é universal! Todo mundo fala bem! Assim como vc diz que é tocante, emocionante e um livro que muda a visão as pessoas! Estou muito curiosa para ler!

    Parabéns pela resenha!

    Beijos !

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  14. Já havia visto alguns livros que retratavam a escravidão, inclusive mais recentes.
    Mesmo que há muito tempo ela tenha sido extinta do Brasil, a realidade de muitos ainda é a mesma que a dos antepassados.

    Beijo

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