29 julho 2015

Resenha: Fragmentados - Neal Shusterman


Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe. O vencedor do Boston GLobe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo. Skoob / Comprar

Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
Nota: 5/5 FAVORITO

Fragmentados, primeiro volume da série homônima, de Neal Shusterman, foi lançado recentemente aqui no Brasil pelo Grupo Editorial Novo Conceito. Desde que li a sinopse e assistir o book trailer fiquei com muita curiosidade em ler esse livro, pois o gênero distópico é um dos meus preferidos. Depois de uma Segunda Guerra Civil, mais conhecida como Guerra de Heartland, houveram conflitos e várias mortes, para acabar com esses problemas foram criadas várias emendas constitucionais, conhecida como a ‘‘Lei da Vida’’. Eu vou colocar um quote do livro para vocês entenderem o que essa lei significa:

‘‘A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de treze anos.’’

Ou seja, a criança está protegida até que complete 13 anos, mas, a partir dessa idade, e até os 17 anos, se uma mãe ou um pai decidirem que não querem mais seus filhos podem mandá-los para fragmentação, onde a criança passa por um procedimento de retirada de órgãos, mas o cúmulo do absurdo é que a criança/adolescente ainda continua viva, ou seja, são cortados em pedaços e colocada em alguém que precise. A sociedade acredita que, ‘’tecnicamente’’, a criança que é fragmentada ainda continua viva, mas agora está em vários pedaços. As pessoas acreditam que isso é o certo, que as crianças fragmentadas estão ajudando pessoas doentes, que precisam de algum órgão vital para sobreviver.

Uma sociedade que acredita que os jovens desajustados devem ser fragmentados e que consideram essa prática como algo comum e necessário. Quando uma ordem de fragmentação é assinada não tem como voltar atrás e é neste livro que conhecemos Connor, Risa e Lev, três jovens destinado à terem seus corpos reduzidos a pedaços, que lutam e fogem deste sistema de fragmentação. O objetivo é fugir até completar 18 anos, mas quando seu corpo é desejado não será fácil.

Cada um deles possui uma história de como foram destinados à fragmentação, mas não vou explorar essa parte. Vou deixar vocês na curiosidade e expectativa de como Connor, Risa e Lev se conheceram e fugiram de seus destinos. A narrativa é intercalada entre os três personagens principais, mas em alguns momentos também temos outros personagens secundários narrando a história. Eu não gostei muito da capa, mas a história é maravilhosa, a diagramação está simples, a letra está num tamanho agradável para leitura e não percebi nenhum erro de revisão.

O que dizer desse livro? Revoltante. Sério. É revoltante você perceber o que essa sociedade faz, mas o pior são os pais fazerem isso com os filhos. Por quê? Por quê? Que tipos de pais são esses? Como perdoar uma família que fez isso com alguém amado? São tantas perguntas que eu chorei de raiva, não consigo acreditar que alguém possa fazer isso. Quem somos nós para determinar quem vive ou morre? Só porque um filho não é exemplar, isso é motivo de mandá-lo para fragmentação? 

Neal Shusterman possui uma narrativa ótima e viciante, escreve tão bem que o mundo criado por ele parece ser bem real, mas revoltante. Um livro que te faz ter reflexões e nenhum momento a narrativa é maçante, pelo contrário, a cada página ficava angustiada para saber qual o destino dos personagens. Falando em personagens, devo destacar que eles são bem construídos e ao longo da narrativa vamos percebendo o amadurecimento de alguns deles. É uma história que te envolve e você torce por todos os jovens fragmentários, porque consegue sentir as emoções deles, como o desespero, o medo. Você quer abraçá-los e dizer que tudo vai ficar bem, que eles são apenas crianças e vão ter uma vida feliz. 

Esse cenário futurístico é insano e aterrorizante, mas o que assusta é algo que pode ser possível. O autor aborda temas tão discutidos na nossa sociedade em seu livro, como o aborto, mas de uma forma diferente. Fragmentados é uma série de quatro livros e um intermediário, portanto estou ansiosa para que a Novo Conceito lance a continuação o quanto antes. Em suma, recomendo a leitura dessa série distópica que tudo para conquistar os leitores brasileiros.

Book Trailer:


Quotes:
‘‘Todo mundo sabia que uma ordem de fragmentação era irreversível, então gritar e brigar não mudaria nada.’’
‘‘No final das contas, cada um desses jovens, exatamente como todos os fragmentários, tem uma história que merece dez pontos na escala de choradeira.’’
‘‘Só porque a lei diz, não significa que é verdade.’’
‘‘Nunca ocorreu a vocês, fragmentários, que podem ser melhores, até mais felizes, em estado dividido?’’






14 comentários:

  1. Oi, Jess! Não estava sabendo desse lançamento, mas adorei sua resenha e fiquei interessada na leitura. Nossa, o que eles são revoltantes. Depois vou comprar esse livro. Beijos flor.

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  2. Meu Deus! Tô em choque depois de ler essa resenha... Sério, até senti um embrulho no estômago. Fiquei me perguntando que tipo de pai/mãe fazem algo tão aterrorizante com os filhos. Eu sou super a favor de doar os órgãos depois que a pessoa morre... Mas coitados desses jovens, não podem decidir e precisam lidar com isso. Fiquei super curiosa para descobrir a história de Connor, Risa e Lev e como tudo aconteceu com eles. Porém, acho que eu não leria esse livro no momento, senti que é um pouco forte D:

    Beijos
    www.procurei-em-sonhos.com

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  3. Oi Jess, tudo bem?

    O livro não me chamou a atenção, mas que bom que você gostou. Que bom que o livro tem um bom ritmo e, pelo jeito, é bem alucinante. Mesmo com todos os elogios, vou deixar essa passar.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  4. Olááá!

    Jess, o que é esse booktrailer?? MEUDEUS estou surtando. Tenho receio desses lançamentos da NC porque as vezes eles não suprem nossas expectativas.
    Eu AMEEEI sua resenha, mesmo ficando revoltada com o funcionamento desse lugar. Achei super certo você não contar muito sobre o enredo pq só despertou minha curiosidade <3 <3 <3
    Adorei. Espero que lance o segundo logo e que seja tão bom quanto esse.


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com


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  5. Oi, Jéssica! Eu adoro distopias e foi justamente por isso que resolvi solicitar esse livro com a editora. Ainda não peguei para ler e depois da sua resenha fiquei muito mais curiosa. Acho que além de revoltante o livro deve ser até triste, pensar nessas crianças e o que elas vão passar ao longo dos livros.

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  6. Oi Jessica!
    A trama desse livro é tão absurda que eu não tenho uma opinião definida ainda se leria ou não! hahaha
    acho que ficaria revoltada assim como você! A raça humana pode ser tão degradante às vezes, né?
    Um fato que gostei muito é que a história é contada intercalando o ponto de vista de cada personagem. Acho essa técnica muito legal! Assim, temos várias visões da mesma história!

    Beijos,
    Fernanda
    www.oprazerdaliteratura.com.br

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  7. Oi, Jessica!
    Quando vi o BT sendo divulgado no facebook, pirei. Pensei no quanto esse livro deve ser incrível e lendo sua resenha, vi que estava certa. Preciso ler para ontem, sério!
    Com carinho,
    Celly.

    http://melivrandoblog.blogspot.com/

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  8. Jess lindona acredita que estou com receio desse livro, pela raiva que posso sentir assim como você, acredito que o autor acertou em cheio na polêmica abordado em como pais descartam filhos ainda dessa maneira. Vou esperar a continuação para criar coragem para ler. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  9. Essa é a 2ª resenha que vejo falando bem do livro e agora tô em cólicas pra ler. O problema é que morro de medo de acontecer igual a Desafio, que adorei o primeiro, mas não sai a continuação nunca.
    Já gosto de distopia, com esse tema então, envolvendo uma crítica tão atual e possível... ai, meu corassaum! Já sei que vou gostar.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  10. Quando vi o booktrailer, sabia que iria me arrepender de não ter solicitado. Lendo sua resenha, minhas certezas se confirmaram. Ele parece ser muito bom e muito muito muito revoltante.
    Sei que iria jogar ele longe e ficar me questionando o porque um pai faz isso ao filho! Céus, só de pensar, já me da raiva.
    Pensando bem, acho que não lê-lo tem seu lado positivo hjahahaha

    Beeeijinhos ;*
    Andressa - Mais que Livros

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  11. Mano esse livro tem uma premissa que chega a beirar o insano. O pessoal fazer isso com outras pessoas para "uma bem maior" pq eles estão "salvando" outras vidas..realmente é muito louco.
    Essa vai ser uma das minhas próximas leituras assim que eu terminar algumas leituras da arqueiro que eu necessito terminar antes que eu morra de curiosidade.
    Gostei da sua opinião positiva. espero gostar da leitura tbm.
    Seguindo o Coelho Branco

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  12. Oi Jéssica, sua linda, tudo bem
    Não acredito que você já leu!!!! Esse é um dos lançamentos que eu mais queria. Eu vi o book trailer e fiquei arrepiada, que historia!!!! Não sabia que seria uma série, mas pelo menos não será tão longa. Agora, revoltante é pouco, como defender a vida de uma pessoa doente usurpando partes de uma vida saudável, com ela viva e ainda por cima com o consentimento dos seus pais? Nossa!!!! Sem palavras!!!!! Adorei a resenha.
    Beijinhos.
    Cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  13. Olá, tudo bem?

    Eu estou louco para ler esse livro, e agora depois da sua resenha minha vontade aumentou mais ainda. Essa ideia de controle populacional criada nesse livro foi genial para ser explorado ficcionalmente, pois é algo que tecnicamente ainda pode acontecer no mundo real. Confesso que também não gostei da capa e saber que o livro é narrado por 3 pessoas não me agrada muito, pois não sou muito fã de narrativas intercaladas, mas mesmo assim quero muito ler.

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

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  14. Já li e amei muito, a escrita do autor é mesmo viciante! Acho que é a distopia mais revoltante que já li. Não dá mesmo pra acreditar nos pais que entregam seus filhos para a fragmentação, com essa história de que vai continuar vivo, mas de outro modo... aham... também espero que lancem logo a continuação.

    Beijo.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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