26 fevereiro 2016

Resenha: As Espiãs do Dia D - Ken Follett

Segunda Guerra Mundial. Na fúria expansionista do Terceiro Reich, a França é tomada pelas tropas de Hitler. Os alemães ignoram quando e onde, mas estão cientes de que as forças aliadas planejam libertar a Europa.
Para a oficial inglesa Felicity Clairet, nunca houve tanto em jogo. Ela sabe que a capacidade de Hitler repelir um ataque depende de suas linhas de comunicação. Assim, a dias da invasão pelos Aliados, não há meta mais importante que inutilizar a maior central telefônica da Europa, alojada num palácio na cidade de Sainte-Cécile.
Porém, além de altamente vigiado, esse ponto estratégico é à prova de bombardeios. Quando Felicity e o marido, um dos líderes da Resistência francesa, tentam um ataque direto, Michel é baleado e seu grupo, dizimado.
Abalada pelas baixas sofridas e com sua credibilidade posta em questão por seus superiores, a oficial recebe uma última chance. Ela tem nove dias para formar uma equipe de mulheres e entrar no palácio sob o disfarce de faxineiras.
Arriscando a vida para salvar milhões de pessoas, a equipe Jackdaws tentará explodir a fortaleza e aniquilar qualquer chance de comunicação alemã – mesmo sabendo que o inimigo pode estar à sua espera.
As espiãs do Dia D é um thriller de ritmo cinematográfico inspirado na vida real. Lançado originalmente como Jackdaws, traz os personagens marcantes e a narrativa detalhada de Ken Follett. Skoob / Orelha de Livro

Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Páginas: 448
Nota: 4/5

Sendo bem honesta, preciso começar essa conversa dizendo que eu não sei exatamente como eu me sinto com relação a esse livro. Eu tenho uma relação de idolatria com o Ken Follett há algum tempo por conta da Trilogia O Século (Queda de Gigantes, Inverno do Mundo e Eternidade por um Fio), mas eu nunca tinha lido nada dele. Quando surgiu a oportunidade de ler esse livro eu pirei, pensei: “Nossa! Finalmente vou ler Ken Follett!” e no final das contas eu terminei o livro com esse sentimento dúbio.

Não quero que vocês pensem que o livro é ruim, muito pelo contrário, mas acho que talvez eu tenha lido muitos comentários sobre o autor e seus livros e posso ter criado uma expectativa muito grande sobre a escrita. Também posso ter escolhido mal a minha entrada no mundo dele, já que esse livro não é dos mais famosos... Não sei, uma série de coisas pode ter contribuído para me deixar com essa sensação estranha, mas vamos ao livro.

O autor normalmente escreve seus livros com base em algum momento histórico. Nesse livro, ele utiliza como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. O mais legal é que a história de Felicity Clairet, protagonista do Espiãs do Dia D, é real. Imagina que loucura você ler o livro e saber que partes dela podem ter acontecido na vida real? Claro que ele não utiliza os mesmos nomes e provavelmente a situação não foi a mesma, mas o fato é que eu senti mais vontade de ler o livro por conta disso.

Felicity ou Flick, como é chamada pelos amigos, é uma espiã britânica da Executiva de Operações Especiais, nós quase não ouvimos falar dessa instituição, mas ela existiu de verdade no período da Guerra. A Executiva foi criada por Winston Churchill, em 1940. Sua missão era encorajar e facilitar a espionagem e a sabotagem atrás das linhas inimigas, e servir como núcleo das Unidades Auxiliares, um movimento de resistência contra a possível invasão do Reino Unido pela Alemanha Nazista.

Era exatamente esse tipo de apoio que Flick dava à Resistência Francesa, ela era o elo entre os combatentes do norte da França e o escritório da Executiva em Londres. Ela acompanhava missões, fazia relatórios e apontava possíveis ataques que poderiam ser feitos. O livro já começa no início de um desses ataques, as vésperas do Dia D e você tem a oportunidade de conhecer um pouco de cada um dos envolvidos na cena.

"Um minuto antes da explosão, a praça estava tranquila em Sainte-Cécile. A tarde seguia quente e uma camada de ar estagnado envolvia a cidadezinha feito um cobertor. O sino da igreja soava preguiçoso, convocando sem grande entusiasmo os fiéis para a missa. Para Felicity Clairet, ele servia de contagem regressiva."

O que me surpreendeu logo no início é que apesar do autor utilizar a técnica do narrador personagem, ele opta por usar três pessoas para dar mais riqueza a sua história. Obviamente quem aparece logo no início é Flick, logo depois você é apresentado a Dieter Franck, um major alemão que tem que encontrar as fraquezas das linhas de comunicação alemãs e avaliar até que ponto a Resistência podia atacá-las, e por último você vai conhecer Paul, um americano que aparece em um pouco mais para frente na história.

É através do olhar desses três que Follett construiu a história. No início, todos mostram muito potencial e no final você percebe uma coisa muito interessante através do perfil dos três: ninguém é linear o tempo inteiro. Os três passam por altos e baixos, alguns se encontram a tempo de recuperar as rédeas da situação e outros não. Agora eu consigo ver que essas mudanças serviram para mostrar que todos são humanos e suscetíveis a erros, mas na hora isso fez com que eu pensasse que a história tivesse se perdido.

Uma coisa que eu gostei muito é que outros personagens aparecem na história e o autor teve o cuidado de carregar um a um com ele até o fim (do livro ou do personagem). Você sabe exatamente que fim teve cada um dos personagens, uma coisa que me deixa muito feliz, porque eu não gosto de chegar ao fim de um livro único e ter que supor o que houve com fulano ou ciclano.

A escrita de Follett é boa, gostei da forma como ele conduziu a narrativa, mas acho que vou ter que ler uma segunda vez para conseguir entender melhor as variações que os três principais sofrem ao longo do livro. Acho que essa sensação esquisita que eu senti no final pode ter sido por isso, eu perdi alguma coisa no meio do processo... Apesar disso é importante deixar claro que encontrei alguns erros ortográficos no livro, na verdade acho que estão mais para erro de digitação, mas poderiam ser corrigidos caso haja uma nova impressão. Se eu entendi bem uma das frases do livro, pode ser que tenha havido também um erro de concordância, se der para corrigir também seria legal, mas essas ocorrências são poucas e não prejudicam em nada a leitura, fiquem tranquilos.

O saldo final é: a história é bem escrita, tem personagens envolventes e bem trabalhados, a leitura é fluida e fácil. Não senti tédio em nenhum momento, mas eu sou do tipo que gosta muito de romance histórico. Se bem que acho que isso não vai ser problema, porque a história não narra fatos da Segunda Guerra, o autor apenas conta um fato que aconteceu naquele período. Então acho que a história tem muitas chances para conquistar mais pessoas.

A inteligência da Flick e do Dieter são apaixonantes, eu pelo menos me surpreendi com a engenhosidade dos dois em alguns momentos. E confesso que depois de tantas séries que me deixaram órfã de um desfecho esse livro foi um alívio. Ele começa e termina ali, não tem mais o que esperar, não tem o que imaginar, não tem nada que ficar sofrendo. Só ler e se deleitar.

Divirtam-se!

Quotes:
"Flick era major. Para todos os efeitos, pertencia ao contingente exclusivamente feminino do Regimento de Enfermagem e Primeiros Socorros do Exército Britânico. Tratava-se, no entanto, de um posto de fachada (...) Aos 28 anos, era uma das agentes de mais experiência dessa força secreta."
"Em maio de 1940, quando os tanques do general Heinz Guderian atravessaram o rio Mosa na altura de Sedan e abriram caminho de forma triunfal através da França até o canal da Mancha em apenas uma semana, Dieter cedera a um impulso e se candidatara a um posto no exército. Em vista de sua experiência na polícia, imediatamente fora alocado na inteligência."
"Paul fazia parte do estado-maior de Monty. Muitos atribuíam isso ao fato de que o pai dele era general, o que era uma injustiça (...) Sua área de atuação era a inteligência, ou, mais especificamente, a organização de tudo aquilo que cercava o trâmite das informações de inteligência. Era ele quem deixava na mesa de Monty os dados de que o general precisava. 

Ps¹.: Espero que tenham percebido que a resenha me ajudou a desfazer aquela sensação que eu tive quando terminei de ler o livro. Eu podia ter apagado e refeito o início já que não estou mais sentindo isso, mas achei mais justo deixar lá para vocês verem que às vezes a gente precisa pensar um pouco sobre tudo o que leu para entender melhor a história e o desenvolvimento dos personagens. Espero que vocês gostem de tudo logo de cara ;)

Ps².:Também escrevo resenhas e matérias em outro blog literário, o Ponto para Ler, se quiser conhecer é só clicar AQUI.






15 comentários:

  1. Hello!
    Vou confessar que tenho certa resistência a ler alguma coisa do Follett. Algo nele não me atraí, hahaha!
    Achei a temática do livro e a maneira como você descreveu bem legais, mas sabe? Continuo com o pé atrás. E olha que eu adoro livros que tratam, mesmo que superficialmente, de temas históricos.
    Ken Follett está lá no finalzinho da minha lista de leituras, mas vamos ver. Acho que um dia eu animo, haha
    Bj

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    1. Oi Michelle!

      Dá uma chance para ele! Acho que você não vai se arrepender. Vou ler outro dele para ver o que sinto no final :)

      Beijos!

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  2. Olá, eu sou fascinada por livro com o teor como esse. Ainda não li nada do Ken Follet mas estou louca por esse livro e Mundo sem Fim. Gostei bastante de ver a resenha desse livro aqui no blog e me fez lembrar o quanto eu estou louca para fazer essa leitura. Ele estava na minha lista de comprar do natal mas acabei não comprando :(

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    1. Oi Beatriz!

      Pois compre! Você vai se apaixonar pela Flick e respeitar o Dieter é muita inteligência para duas cabeças
      Hahahaha

      Beijos!

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  3. Olá!
    Apesar de ser um autor bastante conhecido, nunca li Ken Follett. Acho que porque nunca tive aquele interesse mesmo. No final acho que o livro não me atraiu muito. A premissa é bem interessante, sem dúvidas, mas é um livro que eu não leria. Pelo menos nesse primeiro instante.
    Parabéns pela resenha.
    Abraços!
    http://blogladoescuro.blogspot.com.br/

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  4. Também já me sentir assim, esperei muito de um livro e no final fiquei sem saber o que achava realmente dele.

    http://mysecretworldbells.blogspot.com.br/

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  5. Menina, eu te entendo totalmente, eu estou lendo "A Menina da Neve" e sinto um 'quê' de desistência tomando conta de mim, mas algo me diz que valerá a pena quando eu juntar todos os detalhes. Sei lá. rsrs

    Beijos, Thay Rocha
    www.leitoranamoda.wordpress.com

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  6. Ooi! Creio que nunca ouvi falar do autor, tão pouco seus livros. Achei a o enredo interessante, até mesmo por traEr uma mulher como personagem principal. Porém, não sei se a leitura iria fluir. Tenho prioridades de leitura, e infelizmente, este livro não me conquistou o bastante para colocá-lo na lista :D
    Ótima resenha!
    Beeijos

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  7. Interessante. Adoro histórias de guerra, ainda mais protagonizada por uma mulher. Sei como é quando voce disse q se perdeu na história (kkkkk), mas gosto de quando me perco, fico intrigada, arregalo os olhos... Mas logo depois de algumas paginas tudo começa a fazer sentido de novo. Parece ser o tipo de livro que prende nossa atenção e nos faz esquecer o que esta em volta. Também estou precisando ler uma historia com início, meio e fim num livro só. Séries me deixam aflitas demais, não que eu não goste... (E fico mais aflita ainda quando a continuação da história ainda nem foi lançada.)
    Assim que tiver oportunidade vou ler esse livro. Obrigada pela ótima resenha!

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  8. Oi
    Tudo bom?
    Acredita que nunca li nada do Follett?
    Apesar de sempre gostar das sinopses e ler varias resenhas positivas, nunca me animei a ler!
    Quem sabe agora não crio coragem?
    Adorei sua resenha
    Bjos

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  9. Olá... Ana... tudo bem??
    Infelizmente leituras com teor histórico não me cativam param leitura... mas é uma pena que essa em especial tão esperada... não tenha dado certo pra você... quando estamos com uma expectativa muito alta com relação uma leitura... podemos nos surpreender... ou até nos decepcionar... que pena que foi meio assim com você... não me lembro de ter ouvido falar nesse autor... mas espero que não desista, já que nutre uma paixão por ele... xero!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br

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  10. Eu amo Ken Follet, de paixão. E até hoje não me perdoo por não ter ido conhecê-lo na bienal de sp. Esse é um dos poucos livros dele que ainda não li, mas adorei sua resenha e já estou super curiosa pra lê-lo. Tenho certeza de que gostarei.

    ;D
    Profissão: Leitora

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  11. Oii,

    Muito interessante a sua resenha.
    Nunca tinha ouvido falar do autor e de seu livro, mas achei nem interessante a história do mesmo e me despertou uma certa curiosidade.

    beijos

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  12. Ana, que bom que você destacou essa sensação que ficou ao término da leitura e que tenha deixado uma notinha no final. As vezes isso acontece comigo, e conforme vou pensando sobre a trama, as coisas começam a se encaixar. Loucura, né HAHAHAHA
    Acho que lerei esse livro, nunca li nada do Ken Follet. Se eu disser que quero MUITO ler alguma obra dele, estarei mentindo, não estou tão empolgada e fazendo muita questão, mas quero sim ter a oportunidade de conhecer sua escrita.
    Gosto muito de tramas sob um contexto histórico, quando o cenário é bem desenvolvido então, é enriquecedor! Principalmente porque sou apaixonada por história e o fato de ter o protagonismo feminino numa situação associada inevitavelmente aos homens, já me deixa animada.
    Valeu pela indicação!
    Beijos

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  13. Oi
    Tudo bom?
    Amo os livros da editora, esse eu ainda não conhecia.
    Adorei a forma que fez sua resenha.
    Obrigada pela dica!
    Bjos

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