26 outubro 2016

Resenha Nacional: Boa noite - Pam Gonçalves

Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação — em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números —, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa. Skoob | Comprar: Amazon | Saraiva | Cultura

Autora: Pam Gonçalves
Editora: Galera
Páginas: 240
Nota: 5/5

Assim como a maioria das pessoas eu conheço a Pam por causa do seu antigo blog Garota It e também pelo canal do Youtube, que sigo e acompanho seus vídeos sempre que posso. Fiquei interessada na escrita dela desde que fiquei sabendo do livro O amor nos tempos de #likes, onde ela escreveu um conto sobre Orgulho e Preconceito. Achei que esse seria meu primeiro contato com sua escrita, mas acabei lendo Boa Noite antes e adorei.

Alina Medeiros é uma garota exemplar. Ótima filha e excelente estudante, mas agora que vai ser universitária e sair da sua cidade natal para estudar quer ser uma pessoa diferente e fazer novos amigos. Ela é caloura na Universidade Pedra Azul e vai morar na República das Loucuras, onde vai dividir o aluguel com a divertida Manuela, o casal fofo Talita e Bernado, e o irresistível Gustavo.
"Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo completamente diferente... Obviamente eu também. Tudo o que eu quero é começar de novo. É nisso que eu penso enquanto encaro a parede de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo pra trás e enfim ser alguém legal."

Seus novos amigos são veteranos e ótimas pessoas, mas não vai ser fácil para Alina enfrentar seu curso de Engenharia da Computação, pois a turma é repleta de garotos machistas que acreditam que garotas não deveriam estar num curso com números. Mas Alina não deixa se abalar e se une as três únicas garotas da sala (Sabrina, Luana e Julia) para se protegem desses garotos escrotos.

Alina enfrenta diversos dilemas nessa sua nova jornada e, assim como qualquer pessoa, vai cometer erros, sofrer por quem não merece, passar por problemas e situações horríveis; mas também vai buscar se encontrar de verdade e batalhar para fazer algo diferente para ajudar quem precisa. Mas Pam traz aqui muito mais que uma história de uma jovem descobrindo quem ela é de verdade, aborda de forma leve e direta o abuso sexual, preconceito e machismo. Porém, além disso, a autora quis mostrar a importância da sororidade, da denúncia feita pela vítima e de não pensar que é culpada por isso.


Na República das Loucuras a relação de ambos é como a de uma família, cada um tem uma personalidade diferente que acaba complementando todos. Eles gostam de se divertir, mas também são sérios quando necessário e cada um protege o outro e sempre estão ali para estender a mão. Manu estuda Comunicação Social e é divertida, alegre e contagiante, mas uma boa amiga para Alina. Talita e Bernado estudam Administração e são pessoas boas, principalmente Talita que é uma garota doce. Gustavo estuda Medicina e é fofo, lindo, carinhoso e uma pessoa muito sensível.

Não esperava gostar tanto do livro e fiquei presa a narrativa desde a primeira linha, que além de mostrar questões importantes, a autora ainda traz uma narrativa leve e divertida com personagens marcantes e reais. Aqui cada pessoa pode se identificar com uma pessoa específica ou mesmo algum caso na história que faz a gente lembra de uma amiga, de um parente ou vários relatos que ouvimos por aí na internet.

A capa é bonita, mas na época do lançamento houve uma votação e gostava mais da outra capa em questão. A diagramação é simples e encontrei apenas um erro de revisão. Meu ponto negativo sobre a obra é a letra, pois realmente é muito pequena e mesmo com óculos de grau tive que forçar bastante a vista, mas ao longo das páginas acabei me acostumando. Em suma, só posso recomendar Boa Noite e espero que possam dar uma chance a Pam Gonçalves.

Book Trailer:




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