Resenha: À Sombra de uma Mentira - Alex Marwood

Poucas horas depois de se conhecerem, Jade e Bel, ambas com 11 anos, veem-se envolvidas na morte de uma garotinha e tachadas de assassinas. As duas meninas são enviadas a diferentes reformatórios, onde recebem novas identidades e são instruídas a nunca mais entrar em contato uma com a outra. Agora elas são Kirsty, uma respeitável jornalista freelancer de Londres, e Amber, gerente de um parque de diversões no sul da Inglaterra. Quando Amber encontra um corpo em uma das atrações do parque, a mídia fica em polvorosa, e Kirsty, enviada para cobrir os assassinatos, acaba cruzando o caminho de sua velha conhecida. Não demora muito para as duas se darem conta de o quanto sabem uma sobre a outra. Com medo de que seu passado seja descoberto e exposto pelo frenesi da imprensa, Kirsty e Amber lutam para manter o segredo a salvo. Skoob | Comprar: Amazon | Submarino | Americanas

Autor: Alex Marwood 
Editora: Bertrand Brasil 
Páginas: 446
Nota: 3/5

Escolhi ler esse livro porque ele é um suspense e eu li poucos livros desse tipo na vida. É como se eu estivesse em falta com esse gênero, sabe? Achei a ideia do livro bem diferente e o comentário do Stephen King pesou bastante para me ajudar a decidir. O negócio é que o livro parece uma montanha russa e eu terminei a leitura com a sensação de que o autor propôs uma história que não soube contar tão bem no fim das contas. Claro que essa sensação pode ser porque não estou acostumada a ler tanto suspense, mas vou tentar explicar melhor depois de falar sobre o que é o livro. Vamos lá!

Bom, a história começa com um prólogo que se passa em 1986, onde Jade Walker e Anabel Oldacre já estão presas e serão transferidas para casas de recuperação de menores infratores, não sei como é o nome equivalente na Inglaterra, então vamos chamar assim. Você sabe que elas foram condenadas como as meninas que mataram Chloe e que até os policiais as odeia e mais nada, nesse primeiro momento.

Aos poucos o autor vai intercalando flashes do dia em que as duas se conheceram com a história atual para montar o retrato do que aconteceu antes da condenação das duas, mas ele não segue a ordem cronológica do dia, vai pincelando trechos diferentes a medida que vai abrindo mais da história. É um recurso bem interessante.

Depois desse primeiro contato com a situação, o autor passa para 2011 e você conhece Martin um autêntico stalker, que se sente sabotado pelo mundo e não percebe a natureza dos próprios atos. Ele impõe a própria presença na vida das pessoas e sua vítima atual é Jackie uma mulher que trabalha no parque de diversões Funnland, em Whitmouth.

Jackie trabalha com Amber Gordon, uma das meninas que foi presa pelo assassinato de Chloe. Ela está em liberdade condicional há alguns anos, recebeu uma nova identidade e vive uma nova vida nessa cidade. Atualmente é a zeladora supervisora do parque, mas isso não é grande coisa.

A relativa tranquilidade que conseguiu para sua vida será perturbada no momento em que ela vai limpar a Casa dos Espelhos e encontra o corpo de uma adolescente no local. O que parecia um crime isolado vira a primeira vítima de um assassino em série que atua na cidade.

Justamente por isso Kirsty Lindsay, jornalista freelancer de alguns jornais da Inglaterra é enviada a cidade para cobrir o assassinato. Ela é a outra menina e deliberadamente não vou contar qual porque é parte das revelações importantes do livro. Ela mora perto de Londres e apesar de não ser extremamente bem sucedida teve bem mais oportunidades que Amber e isso vai ser um dos motivos pelos quais elas não vão conseguir se entender quando se encontrarem por obra do destino.

Uma das regras da condicional é que as duas jamais poderiam se reencontrar, por isso foram enviadas a instituições diferentes e quebrar isso é a chave para voltar para a prisão, mas vocês verão que é algo inevitável. A participação de Martin na história ganha valor quando ele se interessa por Kirsty e passa a persegui-la. Você já vai ter conhecido o modus operandi dele por conta de Jackie e ele é um tipo de pessoa que ninguém vai querer encontrar e despertar a atenção, garanto.

A história se desenrola com as duas sapateando para não serem descobertas, evitando se encontrar o máximo que podem e com Kirsty tentando fazer seu papel de jornalista no caso do serial killer. Não foi preciso muitas páginas para eu descobrir quem era, na verdade eu até achei que o autor tinha feito alguma armadilha porque ele deu uma dica muito óbvia logo no início, mas não era ele mesmo e a história vai se desenrolar antes do final do livro.

O início do livro, apesar do assassinato logo de entrada é bem monótono, tive dificuldade para romper a barreira das 100 páginas e foi preciso muita disciplina para chegar as 200. Depois a leitura flui melhor, mas eu tive a impressão de que ele mudou a construção narrativa em algum momento porque o final parece um pouco diferente de como tudo começou. Preciso estudar sobre técnica de escrita para embasar melhor essa minha impressão, mas optei por registrá-la mesmo assim para ver se vocês também perceberam o mesmo durante a leitura.

O livro contém muitas críticas sociais e eu achei isso bem legal porque apesar de serem voltadas a sociedade inglesa, muitas se encaixam nos nossos padrões também. Ele critica a forma predatória de ação da imprensa e a necessidade que eles tem de construir perfis de mocinhos e vilões sem que eles de fato retratem a realidade da vida da pessoa.

Critica também a forma como as crianças foram conduzidas a prisão por aclamação popular sem nem se investigar o que de fato ocorreu no dia. A forma como as duas eram negligenciadas pelos pais. A atribuição de todos os crimes contra mulheres serem colocados na conta do serial killer quando você sabe que um deles foi cometido por outra pessoa... Enfim, são críticas interessantes e que também acontecem na realidade brasileira e o mais legal é que o autor as colocou de forma sutil no texto, se você ler com pouca atenção não vai perceber o peso das palavras que ele colocou ali.

Bom, o livro tem altos e baixos, mas o sentimento geral é de que foi uma leitura massante em vários momentos. Fiquei em dúvida se a tradução pode ter sido responsável por essa diferença, mas aí só vou conseguir saber se pegar o livro em inglês para ler. Não encontrei erros de revisão e, por fim, espero que vocês leiam para que eu possa conversar com alguém sobre tudo o que acontece nessa história.

Quotes:
"Já me viram várias vezes. Nos jornais, nas notícias. É por isso que nos fazem formar fila naquelas fotos de escola todos os anos. Não é para as famílias, mas para se ter alguma coisa para vender aos jornais. Assim, eles têm alguma coisa para acrescentar um título."
"Pela porta aberta é possível ouvir Bel gritando. Ainda gritando. Ela começou quando o veredito foi dado e continua desde então. Jade consegue ouvir apenas o silêncio através das paredes da cela."
"Sinto-me insignificante. Insignificante, sozinha assustada e confusa. Sei que estão gritando contra mim, mas não entendo por que me odeiam tanto. Nós não queríamos isso. Nunca quisemos que aquilo acontecesse."



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