14 novembro 2016

Resenha: A Rebelde do Deserto - Alwyn Hamilton

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.
Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.
Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir. Skoob | Comprar: Amazon | Submarino | Saraiva | Americanas

Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Nota: 3,5/5

Tá aí uma surpresa boa que eu tive esse ano (Novembro, né?! Vamos começar a colocar a vida e o ano na balança?). Juro! Não dava nadinha por esse livro e quando comecei a ler me vi tragada pelas areias de Miraji. A leitura foi super fluida e recheada de mensagens e críticas sociais do jeitinho que eu gosto. Realmente não tinha nenhuma expectativa, achava a capa chamativa, mas para mim não tinha nada demais.

Até que eu comecei a ler e conheci Amani Al'Hiza, uma garota que vive na Vila da Poeira, uma cidade de uma região chamada Último Condado em Miraji. É como se Miraji fosse o país, o Último Condado um estado e a Vila da Poeira uma de suas cidades. O país é praticamente dominado pelo deserto e possui um sultão que se preocupa apenas com meios de garantir que terá cada vez mais poder independente do bem estar do seu povo.

Amani é órfã e mulher em um lugar que ser mulher equivale a valer menos que a areia do deserto. Ela pertence ao tio porque sua mãe foi apedrejada após matar o marido alcoólatra. Ele não é seu parente de sangue, mas é marido de sua tia e, de acordo com as leis locais ele é que tem posse sobre ela. Apesar de tratar desse assunto delicado que sabemos que é bem próximo da realidade de muitas mulheres no Oriente Médio, a autora toma o cuidado de mostrar que essa realidade é injusta e que as mulheres são capazes de pensar e agir até melhor que qualquer homem.

O maior sonho da vida dela é sair da Vila da Poeira para morar em Izman, uma cidade bem maior que habitava as histórias de sua mãe. As duas viviam imaginando como a vida delas seria melhor quando elas chegassem a casa de uma outra tia de Amani. Entretanto, após sua morte as chances de Amani se livrar da pobreza e do deserto são bem pequenas. Ela já tentou fugir da casa dos tios, mas acabou sendo pega e levando uma surra que a deixou sem andar por vários dias.

Com esse sonho em mente ela resolve fingir que é um garoto e ir a uma competição de tiros para tentar ganhar dinheiro para fugir da Vila da Poeira antes que seja obrigada a casar com um homem qualquer ou com o próprio tio. Acontece que as coisas não saem muito como o planejado, mas ela conhece Jin, um forasteiro que acaba a ajudando, de certa forma.

A jornada de Amani faz com que ela tenha que fazer escolhas bem duras e ela se transforma como pessoa ao longo dela. Tem a oportunidade de conhecer realidades diversas e de se conhecer de maneiras que ela nem imaginava. Claro que isso não é nem um fio da história, mas ajuda a entender um pouco do pano de fundo do livro. Ah! Duas coisas são importantes também: Miraji é dominada por um exército estrangeiro, que os locais chamam de exército Gallan.

Eles ajudam o sultão a se manter no poder em troca de armas e do combate aos seres míticos que dominavam o deserto no passado. Sim, você vai ver um pouco de magia nesse livro também. A outra coisa é que há uma competição entre os filhos mais velhos do sultão para ver qual deles será o próximo a tomar o trono. Não basta ser o primeiro, é preciso provar seu valor. No meio da competição um filho do sultão que havia fugido quando pequeno se revela e acaba ganhando os jogos do sultim. O problema é que a vitória não é muito bem aceita e esse príncipe passa a viver na clandestinidade.

Olhei para o livro e pensei: Vambora ler mais um livro teen com uma história de amor água com açúcar \o/ Aí li um livro teen com um mundo bem diferente, personagens fortes e um bocadin de romance, mas não é ele que tem mais peso na história e eu gostei muito da forma como a autora dividiu a carga entre os elementos que ela apresentou durante o texto. Ela deu espaço a família quando foi necessário entender como ela se encaixou naquele grupo de pessoas após a morte de sua mãe, a Amani quando ela precisava mostrar como seus sentimentos a levaram a decisão de abandonar a Vila da Poeira, a amizade quando apresentou seu melhor amigo Tamid, ao romance quando ela percebe que sua relação com Jin vai além da sobrevivência...

Enfim, há muitas coisas a perceber ao longo da leitura e eu gostei bastante da forma como a questão da luta pelo poder foi colocada na história. Os motivos que levam o príncipe rebelde a reclamar o trono são extremamente nobres e a forma como ele mostra que visitou outros países, viu outras realidades e sabe que é preciso buscar o bem do povo e não apenas o poder me encantaram. Eu não posso ver um negócio mais voltado para relações políticas que eu já me dá até uns tremeliques, né?! Hahahaha

O texto é bem escrito e contado a partir do ponto de vista de Amani, mas não é um grande desafio. Apesar das questões que aborda ele é aquele tipo de leitura para divertir depois daquela semana de prova, sabe? Você não precisa pensar muito, não vai ter muitas surpresas e poucas reviravoltas, mas você vai conseguir se divertir e ainda vai ficar com vontade de ler os próximos livros da série. Siiiim! Mais uma série incompleta para a conta amiguinhos! Tô ficando especialista nisso! Dá uma olhada nas resenhas que eu fiz e você vai entender meu drama #devoradoradesériesincompletas.

Lê aí e me conta se gostou da Rebelde ;)

Quotes:
"Diziam que só pessoas mal intencionadas andavam pela cidade de Tiroteio depois do anoitecer. Eu não tinha más intenções. Nem Boas."
"Se alguém percebesse que eu era uma garota, seria um problema. Mas, se Fazim me reconhecesse, seria ainda pior. Eu já tinha me metido em muita encrenca desde que me pegaram falando palavrão, mas só fui espancada quase até a morte uma vez."
"O que eu sabia era que o forasteiro era tão Oman quanto eu. Tudo nele era estrangeiro, dos olhos aos ângulos do rosto e ao modo como usava aquelas vestes de deserto como se não fizessem sentido sobre sua pele."



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