Projeto Uns e Outros: Um homem célebre


Oi, gente! Chegou o primeiro post sobre a minha experiência com a obra especial da Tag. Uns e Outros traz dez contos de autores clássicos e outras dez releituras de autores contemporâneos. Quer entender o projeto? Clique aqui.

Um homem célebre por Machado de Assis
Este conto de Machado de Assis conta a história de Pestana, um compositor famoso de polca - estilo musical de dança e música - que anda aborrecido com a forma que suas composições são tratadas. Ele não quer a popularidade massiva de suas composições e nem que elas sejam tratadas como um fenômeno em um dia para, depois de um tempo, serem esquecidas e ele ser obrigado a escrever mais fenômenos para a sociedade. Seu maior desejo é produzir música tão culta como Mozart, Beethoven, Bach.

Sua trajetória é cercada de desgosto, ambição e tristeza. Ele não era plenamente realizado com suas composições de polcas, mas também não consegue compor algo tão erudito quanto seus ídolos. 

"As estrelas pareciam-lhe outras tantas notas musicais fixadas no céu à espera de alguém que as fosse descolar; tempo viria em que o céu tinha de ficar vazio, mas então a terra seria uma constelação de partituras."

Machado de Assis me encanta desde a adolescência e esse conto não é meu preferido dele, mas também não desgostei. Ele traz críticas sobre como a sociedade impõe que seus ídolos sempre sejam perfeitos; como esses mesmos ídolos são tratados apenas como produtos pelas empresas; e como temos que escolher entre o que queremos ou escolher aquilo que é mais interessante.

Ao ler este conto eu lembrei de como às vezes acabamos nos acomodando com as coisas, que não nos deixam plenamente felizes, mas mesmo assim vamos vivendo. Ou como as pessoas buscam algo apenas para mostrar para outras pessoas que tem algo desejado. É uma crítica nas entrelinhas muito boa e que vale a pena.

Um homem célebre por José Luís Peixoto
Nesta releitura de Machado de Assis, Pestana é um escritor orgulhoso e egocêntrico. Ele não gosta de seu público e apenas quer ser reconhecido como um autor de grande renome sem ajuda de ninguém.

Ele tem uma página fake na internet, Sinhazinha Mota, que é uma especialista em suas obras e usa essa página no Facebook para enaltecer suas obras e escrever coisas ruins nas páginas de outros escritores. Ele é autoritário e acha que é o melhor autor do mundo, sem querer saber a opinião de seus editores.

Diferente do Pestana original eu não suportei esse personagem e, mesmo com pouquíssimas páginas, já estava enjoada dele. É um conto que mostra como as pessoas podem ser fúteis e ambiciosas de uma forma ruim. É natural que desejemos conquistar nosso crescimento pessoal e profissional, mas jamais usamos isso como alavanca para ser uma pessoa ruim.

"Os seus textos eram clássicos instantâneos, não fazia qualquer sentido que o convidassem a escrever sobre outros."

Se for para escolher qual Um homem célebre eu apreciei mais, sem dúvidas, fico com Machado de Assis. José Luís Peixoto tem uma escrita muito boa e seu conto tem uma crítica importante nos dias atuais, mas Machado tem aquele dom de arrepiar somente com um parágrafo.

Curiosidades

José Luís Marques Peixoto é um narrador, poeta e dramaturgo português, cuja primeira obra foi publicada em 2000. Site
  • Prêmio José Saramago, 2001.
  • Prêmio Daniel Faria, 2008.
  • Prêmio Cálamo Outra Mirada, 2007
  • Prêmio Libro d' Europa, 2013
  • Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, 2016


Na próxima sexta-feira vai ter mais uma opinião sobre um conto/releitura e não deixem de visitar os outros blogs.

3 comentários:

  1. Comecei a ler o do Machado! Curiosa com o que vou achar!
    Esse será o meu do próximo sábado. Excelente resenha! :*

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  2. Machado é incrível! Parabéns pelo texto. Muito bom. Aproveito para te informar que o seu blog foi indicado ao prêmio The Mystery Blogger Award, confira neste link: http://www.entrelinhaseafins.com.br/2018/01/the-mistery-blogger-award.html
    Abraços, Vitor!

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  3. Esse foi o que eu li essa semana. Foi uma experiência diferente ler um conto do Machado, gostei! Agora o do José Luís foi legal, mas não conseguiu superar o do Machado, até achei o final um pouco forçado...

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